quinta-feira, 10 de abril de 2014

Edição especial da 'Harvard Theological Review' sobre o 'Evangelho da Esposa de Jesus'

A edição de abril de 2014 do periódico Harvard Theological Review publicou uma série de artigos sobre o polêmico Evangelho da Esposa de Jesus. Como era esperado (inclusive, sugerimos isso aqui no blog), a edição em questão saiu nas vésperas da Páscoa.
O conteúdo dos artigos é variado; questões materiais - como a data do papiro e a composição da tinta - são discutidas.
Vejam a lista completa dos artigos dessa edição que tratam do assunto: 

- Karen King. "'Jesus said to them, 'My wife...'': A New Coptic Papyrus Fragment".

- Malcolm Choat. "The Gospel of Jesus's Wife: A Preliminary Paleographical Assessment".

- James T. Yardley e Alexis Hagardorn. "Characterization of the Chemical Nature of Black Ink in the Manuscript of the Gospel of Jesus's Wife through Micro-Raman Spectroscopy".

- Joseph M. Azzarelli, John B. Goods e Tomothy M. Swager. "Study of Two Papyrus Fragments with Fourier Transform Infrared Microspectroscopy".

- Gregory Hodgins. "Accelerated Mass Spectrometry Radiocarbon Determination on Papyrus Samples". 

- Noreen Tuross. "Accelerated Mass Spectrometry Radiocarbon Determination on Papyrus Samples".

- Leo Depuydt. "The Alleged Gospel of Jesus's Wife: Assessment and Evaluation of Authenticity".

- Karen King. "Response to Leo Depuydt 'The Alleged Gospel of Jesus's Wife: Assessment and Evaluation of Authenticity'". 


Como a edição saiu nesta manhã, ainda não pude ler todos os artigos com calma; de qualquer modo, creio que os artigos sobre as questões materiais escritos por físico-químicos (ou seja lá como eles se chamam) sejam técnicos demais. Dificilmente vou entender todos os detalhes.

De qualquer modo, já posso tecer aqui algumas considerações preliminares sobre a questão. Obviamente, o resultado dos testes da tinta era a parte mais interessante e esperada dessa edição da HTR.

Trocando em miúdos e sendo bem direto, os testes em questão simplesmente não trazem nada de novo ao debate. Pelo que pude ler, os testes da tinta foram inconclusivos. Ou seja, nada de novo se sabe sobre a questão. 

Segundo a notícia preliminar que eu li no NYT, em relação ao papiro, analises foram feitas por três equipes de de cientistas (engenheiros, biólogos e químicos) da Universidade de Harvard, da Universidade de Columbia e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Os resultados desses testes foram igualmente inconclusivos. Um dos testes datou o papiro entre os séculos III e V d.C.; o outro teste aponta que o papiro data do séc. VIII a.C. (isso mesmo, antes de Cristo, algo completamente inverosímel).
As divergências entre os resultados dos 2 testes - e em particular a inverosímel possibilidade de um papiro datar do séc. VIII a.C. - demonstram a falta de credibilidade e exatidão desse tipo de teste. Relatórios posteriores dizem que o teste feito em Arizona sugeriu uma datação entre os  sécs. V e III antes de Cristo. Uma data que continua sendo inverosímel.

Segundo Christian Askeland, um dos mais notórios estudiosos de manuscritos antigos atualmente,  a data mais provável do papiro deveria ser situada entre os sécs. VII e IX depois de Cristo (para mais detalhes, clique aqui).


De qualquer modo, a possibilidade de um papiro antigo que foi usado na falsificação já havia sido levantada por alguns estudiosos. Deve-se lembrar, no entanto, que o papiro em si é apenas um dos componentes do fragmento. É perfeitamente possível comprar pedaços de papiros antigos hoje em dia, tanto no mercado negro no próprio Egito, quanto na internet, como o próprio blog já mostrou (clique aqui).
É perfeitamente possível que o falsificador tenha adquirido um desses pedaços de papiros antigos para realizar sua falsificação.
Enfim, todos os outros problemas que apontam para uma falsificação - a gramática, a paleografia, o formato do fragmento, etc. - amplamente discutidos aqui e em vários outros blogs, continuam a existir. A possibilidade de falsificação continua sendo a mais provável.

Em suma, nada de novo foi acrescentado ao polêmico caso.        
    

   


terça-feira, 8 de abril de 2014

O colega Marcus Vinícius Ramos e o Apocalipse Siríaco de Daniel


Esse post serve para fazer a publicidade de uma matéria interessantíssima no site da Universidade de Brasília sobre o trabalho pioneiro e de qualidade que o colega Marcus Vinícius Ramos vem fazendo com o Apocalipse Siríaco de Daniel.
A matéria pode ser acessada clicando aqui.  
Trata-se da primeira tradução de um texto siríaco feita diretamente para o português. 
Parabéns ao Marcus! 
Precisamos de mais trabalhos acadêmicos audazes como esse no Brasil.