terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Evangelhos Gnósticos I

O primeiro tema abordado no mini-curso sobre os evangelhos gnósticos dizia respeito ao gênero literário evangélico; o que seria um evangelho? O simples título de "evangelho" transforma um determinado texto em um evangelho propiamente dito? Eu diria que não; se eu escrever agora uma crônica e der a ela o nome de romance, a tal crônica não vai deixar de ser crônica e se tornar um romance.
Portanto, o primeiro passo do nosso mini-curso foi propcurar definir e entender o que seria um evangelho. Eu procurei demosntrar para o público que um evangelho, seja ele canônico ou apócrifo, é um texto que relata episódios da vida de Cristo (com ênfase nos episódios da Paixão, morte e Ressurreição), seus ensinamentos, dizeres e milagres. Se considerarmos que um evangelho deve apresentar, portanto, as características mencionadas, boa parte dos pretensos "evangelhos gnósticos" não se encaixaria na definição de gênero literário; apesar de muitas vezes os ditos "evangelhos gnósticos" possuirem o título de "evangelho" (em alguns casos, o título não consta no manuscrito, mas foi dado pelos estudiosos modernos) eles não falam da vida de Cristo etc.; não seriam, portanto, evangelhos. Essa primeira informação já gerou muita polêmica e deixou alguns até decepcionados.
Enfim, no próximo post continuaremos falando do gênero literário evangélico.

2 comentários:

Rodrigo Ribeiro disse...

O Evangelho de Tomé poderia ser descrito como um Evangelho "de fato", já que ele é apenas uma coleção de dizeres de Jesus, e não segue o ciclo pregação-crucificação-ressureição indicado pelo Sr.?

Julio Cesar Chaves disse...

O gênero literário do Ev. de Tomé se aproxima do gênero literário evangélico; no entanto, o Ev. de Tomé não é um evangelho propriamente dito.
Como você mesmo disse, trata-se de uma coleção de dizeres atribuídos a Jesus, também chamado de "Logia" (do grego "logus", que quer dizer, dentre outras coisas,discurso).
O fato de o Ev. de Tomé ser, portanto, um conjunto de dizeres`atribuídos a Jesus, fez com que muitos especialistas o identificassem, nas décadas de 60 e 70, com a suposta fonte Q. Mas isso é assunto para um outro post.
Concluindo então, Rodrigo, eu diria que o Ev. de Tomé não é um evangelho propriamente dito, mas um texto com algumas características próprias ao gênero literário evangélico.